quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Miau a todos!



A história de hoje é mais feliz que as duas últimas. 
Após ter saído de mais um internamento na clínica veterinária lá voltei a casa pronto a brincar e a fazer as minhas traquinices habituais. Os dias foram passando bem como as possíveis famílias que ali apareceram. Tentei que todas elas me escolhessem mas apesar de me acharam giro ou engraçado nenhuma me levou para casa.    
Ainda não tinha feito um mês desde que tinha saído do hospital quando apareceram 2 meninas num carro azul.
Como sempre eu fui o primeiro a ir cumprimentá-las. Passei pelas pernas delas, de modo a darem pela minha presença e pedi colo, ao que elas deram logo. 
A minha mãe Filipa também as foi receber e iniciou então uma visita pelas instalações na associação, que são também a sua casa própria. 
Começaram por conhecer alguns dos meus irmãos menos tímidos, viram cães que também ali habitam e de seguida seguiram para a zona mais a baixo da casa que é onde estão os Gatis dos gatinhos que não podem estar soltos ou juntos com os outros. 
São três Gatis muito grandes onde na primeira estavam 3 gatinhos bebés à espera de levarem as vacinas, na segunda estava uma das minhas manas preferidas, a Mel, uma menina tigrada que ainda teve mais azar na vida do que eu. Quando era muito pequenina foi mordida por um cão e logo a seguir atropelada por um carro. Por milagre sobreviveu mas não sem antes perder a sua cauda o que destruiu a possibilidade de ter uma vida normal ou uma família que a adopta-se. 
A Mel sofre de incontinência e não se apercebe que esta sempre a defecar ou urinar e devido a não ter cauda não é possível por-lhe uma fralda, ou seja não pode andar solta pela casa que suja tudo e se não for sempre limpa acaba por deixar a zona do rabo todo em ferida. Já foram várias as vezes que teve para ser abatida mas sempre que isso está para acontecer os veterinários perdem a coragem pois a Mel é sem duvida a gata mais meiga do mundo. Então mais uma vez graças aos incríveis esforços da Filipa e de todos os membros da Associação Tico & Teco que a minha mana mais linda vai tendo alguma qualidade de vida, para melhorar só mesmo quando se conseguir construir os novos gatis que vão ter um espaço exterior grande onde ela poderá brincar e fazer as suas necessidades sem ficar ferida. 
Continuando a minha historia, as duas meninas lá foram vendo as instalações e lá foram conhecendo todos os seus habitantes, e eu sempre atrás delas. Não sei porque mas quando as vi chegar algo me disse que poderiam naquele dia que eu iria ser adoptado, então fiz tudo o que podia para repararem em mim. Eu rebolei à frente delas, rocei-me nas pernas, brinquei, perseguias para todo lado, pedi festas enfim fiz tudo o que podia mas elas continuavam a escolher outros gatos. Por um lado estava feliz, claro, pois era mais um dos meus irmãos que ia receber uma família mas por outro sentia triste e a começar a perder a esperança.
Ao fim de algum tempo elas estavam indecisas sobre alguns dos gatos. O Pumba, um gato castanho e preto, o Damon, um gato preto enorme, mas o que realmente queriam era o Laranjinha, um gato jovem e laranja mas que não se deixava apanhar. Os esforços foram muitos para o tentarem levar, tentaram com comida, com uma caixa e até abriram a porta do carro para ver se ele entrava lá para dentro. Eu senti logo o cheirinho da comida que elas tinham colocado no carro para ver se o laranjinha ia lá comer, entrei para o carro delas comi, e sentei-me no banco, mas elas riram-se e pegaram em mim ao colo, porém acabaram por fazer uma nova tentativa mas desta vez com uma transportadora e mais uma vez eu entrei, comi os biscoitos que lá tinham e fiquei lá sentado à espera que percebessem que era eu a escolha certa. Foi nessa atura que eu as vi olharem uma para a outra, olharem para mim e voltarem a olhar uma para a outra a sorrir. 
Naquele momento o meu coração encheu-se de coragem, será que era desta que ia ser adoptado???
Foi então que ouvi as palavras porque tanto esperava " e porque não levamos o Jôjô?", ao que a Filipa respondeu que sim claro que podiam levar mas que havia problemas e complicações comigo. E então começou a explicar todas as minhas doenças, que tinha de levar vacinas caras todos os anos, que tinha uma pata que um dia poderia ter de ser operado, que tinha a doença que tinha acabado de roubar a vida a dois gatinhos que elas tinham tido (esta historia vou-vos contar mais para a frente) e que teria de fazer análises de 6 em 6 meses para controlar todos os problemas e doenças que tinha, ou seja, iriam gastar muito dinheiro comigo, iriam ter muitos cuidados e sem garantia que o meu estado de saúde não piorasse. Após a explicação toda da Filipa elas voltaram a olhar uma para a outra e de seguida para mim. E estava ainda sentado dentro da transportadora, naquele momento o meu coração parou, ia ouvir novamente aquelas palavras que já ouvira tanta vez " se calhar é melhor levar-mos outro", ia ficar mais uma vez para trás, ia mais uma vez ser visto como o gato doente ou imperfeito como era costume ser visto. Mas não, elas olharam para mim, sorriram e disseram as palavras que eu tanto desejava ouvir "nós levamos o Jôjô".
Senti-me o gato mais feliz do mundo, ia finalmente ser adoptado!
De seguida elas foram preencher a papelada necessária, fizeram-se sócias e receberam toda a informação sobre mim. 
A Filipa emprestou-lhes uma transportadora, que depois regressou cheia de latinhas de comida para os meus irmãos, e lá fui eu todo contente com as minhas mães novas.

Nunca irei esquecer tudo o que a Filipa e a associação Tico & Teco fizeram por mim, eles vão ser sempre a minha família também.

Nesse dia ganhei três mães novas, a Rita, a Sara e a Xana. 

Marradinhas e Ron-rons!





Acreditamos que todos os animais têm o dono certo à sua espera, mas nem sempre se cruzam com ele.      









sábado, 9 de janeiro de 2016

agora falta a família oficial...

Miau a todos!


Pois bem continuando com a minha história..., nos meses seguintes a ter estado internado por causa da minha pata, a vida corria-me bem. Estava cada vez maior e mais gordinho, sempre a brincar e a escavar buracos, sim eu andava numa missão ultra secreta para encontrar Petróleo, dormia numa cama quentinho, enrolado ao pescoço da Filipa, e lá ia fazendo as minhas traquinices normais de um gato como eu. 
Passado algum tempo já a meio do Outono eu e alguns dos meus novos irmãos e irmãs apanhamos um surto de uma doença horrível, a Panleucopénia. Para quem não sabe é uma das piores doenças que existe nos gatos, de origem viral diminui a concentração de glóbulos brancos, pode provocar morte e malformações principalmente em gatos bebés.
Foi horrível, mais uma vez perdi vários irmãos que por serem bebés como eu não conseguiram resistir a esta doença terrível. Eu por sorte consegui mas no meio dessa sorte teria de vir um grande azar.
Apesar de ter sobrevivido à doença, houve uma razão menos boa para isso acontecer. Sim sou um sobrevivente, mas ao mesmo tempo sou portador desse vírus para o resto da minha vida. Ele esta como que adormecido e desde de que seja controlado e vacinado eu poderei viver bem e feliz por muitos mais anos. No entanto como uma má noticia nunca vem só, depois de realizar as análises fiquei a saber que para além de ter o vírus da Panleucopénia também tenho Vírus da Imunodeficiência Felina "PIF", Calicivirus  e Herpesvírus Felino. Ou seja em vez de ter uma doença perigosa tenho nada mais nada menos que 4 doenças que me vão acompanhar para o resto da minha vida. 

Apesar de todos estes obstáculos na minha vida continuei em frente sempre na esperança de ser adoptado e viver uma vida longa e feliz.
Ainda nem um mês tinha passado desde a descoberta das minhas doenças já estava eu a caminho novamente do Veterinário. Desta vez achava eu que seria apenas umas horas e que nada poderia correr mal. 
Como estava quase a fazer 6 meses tinha chegado àquela altura que nós gatos machos não gostamos nada... estava na altura de ser castrado.
Então lá fui eu todo descontraído para o Veterinário, pois eu não sou cá gato de nervos ou medos, a pensar que desta vez era impossível voltar a correr algo mal. Mas mais uma vez estava completamente enganado.
Fui castrado no dia 19 de Novembro de 2015, voltei para casa mas no dia 21 de Novembro tive de voltar de urgência para o Veterinário Tutivet. Ou seja mal estava a habituar-me a estar em casa novamente quando tive de voltar a ser internado mais uns dias, com uma infecção onde tinha sido operado . 
Foram os primeiros 6 meses de vida mas foram também meses de grande luta para sobreviver, passei quase tanto tempo em casa com a minha família como passei em hospitais e veterinários.
Felizmente depois de tudo isto a minha saúde estabilizou, no entanto deixou marcas para o resto da vida. Tenho uma pata deficiente que pode piorar com o passar do tempo, tive uma infecção grave e sou portador de 4 doenças perigosas que se não forem vacinadas e controladas todos os anos podem se tornar activas e acabar por me matar. Mas sabem que mais?! no meio de tudo isto sou um gato feliz, agora para tudo ficar perfeito só me faltava uma família que me quisesse adoptar. Era esse o meu sonho. 
Atenção eu adoro a minha a Filipa e a minha Família no Tico & Teco tal como sei que todos eles me adoram a mim. Eles vão ficar para sempre no meu coração, porém tal como todos os outros gatos que são resgatados e agora vivem aqui, o meu sonho é encontrar uma família que me ame tanto como eu irei amá-los a eles.
Eu sei que sou um gato com tantos problemas mas também sei que tenho tanto para dar. Não é por ter uma pata "estragada" que não vou correr e brincar e saltar, não é por ter vírus que não me vou aninhar e ronronar e pedir festas.
Eu sou um gato como todos os outros apenas preciso de um pouco de cuidado especial. 




Talvez por isso que sempre que alguém vinha à associação adoptar um gato eu era o primeiro a esperar ansioso à entrada de casa. Assim que a Filipa recebia as pessoas eu estava lá sempre do seu lado a recebê-las também. Brincava, roçava-me nas suas pernas, miava e fazia tudo o que podia para lhes chamar a atenção.
No inicio as pessoas achavam-me graça mas conforme ouviam a minha historia ou viam a minha pata não tão perfeita as respostas eram sempre as mesmas "este não", " é melhor ver-mos outro", " é muito giro mas preferimos outro".
Com o passar do tempo a Filipa ia perdendo a esperança que eu algum dia fosse adoptado, e de certa forma também eu já estava muito apegada a eles. Costuma ouvia-la dizer " como é possível ninguém querer um gato tão bonito e amigo de todos". No entanto eu nunca a perdi, eu sabia que a minha família iria chegar, eu sabia que um dia seria eu a ir embora para uma nova casa e iria fazer tudo para ser o melhor gato do mundo.  
Mal eu sabia que esse dia estava mais próximo do que nós imaginávamos...








Marradinhas e Ron-Rons! 






















terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A primeira das minhas lesões.

Miau a todos!

Espero que tenham gostado da primeira parte da minha história. Sei que não é um início muito feliz, mas não sintam pena de mim pois a minha sorte e felicidade estaria para vir mais para a frente. 
Pois bem, cheguei à Associação dia 3 de Junho e fui entregue à maravilhosa Filipa Pereira, ao seu marido e aos seus filhos. 
Como era muito pequenino não conseguia comer sozinho e tinha de ser alimentado por um biberão várias vezes ao dia. Dependia totalmente da minha nova mãe adoptiva e da sua família para poder sobreviver. Não passava de um pequeno gatinho que tinha acabado de ficar sem a sua mãe, sem os seus irmãos e que não fazia a mínima ideia de onde estava ou o porquê de isto ter acontecido a mim. 
De inicio estava um pouco assustado com o novo ambiente mas rapidamente percebi que estas pessoas só queriam o meu bem, pois a toda a hora estava a receber atenção, cuidados, amor, brincadeiras, enfim tudo o que um gato como eu precisa para ser feliz. 

                                                                                                                                                                                                                       
Porém infelizmente a minha sorte não estava para durar. Após começar a comer comida seca fui colocado junto com outros gatinhos da Associação para poder começar a interagir com outros animais e aprender novas brincadeiras. Passado pouco tempo já no início de Julho comecei a coxear da pata direita da frente. Fui internado de imediato nas urgências da Lusófona com suspeita de ter a minha patinha partida, e logo as suspeitas foram trocadas pela certeza de que não seria uma fractura mas sim uma bactéria que me estava a corroer o osso. 
Estive internado durante 10 dias e fui tratado pelos melhores médicos veterinários liderados pelo Professor Rui Onça. Tomei vários antibióticos mas parecia que nenhum era suficientemente forte para destruir aquela bactéria. Tive mesmo em risco de perder a pata para não perder a vida. Foi graças àquela equipa maravilhosa que voltei para casa, ainda assim fiquei com uma lesão na minha pata que me acompanhará para o resto da vida. 





No dia que voltei vinha todo contente pois iria novamente voltar a ver os meus amigos e a minha família. No entanto tive de ficar mais um mês isolado e em tratamento.

Voltei a brincar, a correr, a pular e a fazer os meus estragos sem limitações nenhumas. Sim tenho uma patinha torta que ao toque se nota um osso saído para fora, sim tenho um defeito que para muitos foi motivo para recusarem a minha adopção, mas não deixo de ser um gato feliz, cheio de vontade de brincar e amar como outro qualquer. 

Mais uma vez foi graças à Filipa, à Tico & Teco e a todos os seus amigos e voluntários que eu sobrevivi, pois sem todos os seus esforços não teria sido possível.
Nos meses seguinte vivi bem na companhia dos outros animais, pensando eu que nada mais de mal me iria acontecer. Mal eu sabia o que ainda estava para vir...

  

O resto conto da próxima vez :)

Marradinhas e Ron-rons!







segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O início da minha história

Olá, o meu nome é Jôjô e sou um gatinho com 7 meses e um passado muito complicado. 
Desde pequenino que aprendi da maneira mais difícil o que é a vida, nasci na rua com os meus irmãos num beco onde havia muito barulho e lixo. 
Tive sorte de nascer na força do Verão por isso não apanhei muito frio, mas isso não impediu de passar muita fome, pois sendo a minha mãe uma gata de rua, a comida era escassa para ela, logo o leite era pouco para mim e para os meus irmãos. 

Por isso desde o primeiro dia da minha vida que tive de lutar pela minha sobrevivência. 


Vivi com a minha mãe e os meus irmãos até ter cerca de 3 semanas. Ainda era muito novinho, já tinha os olhos abertos mas ainda mal sabia andar. 
Num dia menos bom para mim, a minha mãe decidiu mudar o local onde nós estávamos e começou a levar um por um dos meus irmãos para outro sitio. Eu acabei por ficar para ultimo, não me importei pois pela frente do caminho estava uma estrada muito movimentada e eu estava cheio de medo daqueles grandes carros assustadores.  Então lá esperei pela minha vez, vendo cada um dos meus manos partir na boca da minha mãe. Ela era muito cuidadosa connosco, tendo sempre o cuidado de nos alimentar o melhor que podia, de nos proteger contra os perigos de viver na rua e claro sempre brincando. Foi então que chegou a minha vez, e lá fui eu na boca da minha mãe. A viagem estava a ser atribulada pois passamos pelo meio de pessoas, barulhos e cheiros estranhos, mas eu sentia-me seguro pois sabia que a minha mãe estava ali para me proteger. Quando ouvi um barulho enorme de uma travagem e senti a dor de embater contra o chão frio nem me apercebi do que estava a acontecer, só voltei a mim e vi onde estava quando um carro enorme e barulhento passou mesmo por cima de mim, estava perdido no meio da estrada e não havia sinal da minha mãe por lado nenhum.
Ainda hoje não sei o que se passou ou onde está a minha mãe e irmãos, não sei se estão bem ou se encontraram uma boa casa e uma família para os amar ou se continuam na rua a lutar contra os perigos do dia a dia.
A única coisa que sei é que era um gatinho bebe com 3 semanas perdido no meio de uma estrada com carros a passar de ambos os lados, naquele momento pensei que seria o meu fim.
Mas não, a minha historia não estava destinada a acabar ali. Do nada apareceu um senhor que parou o carro e me apanhou do chão com todo o cuidado. Eu estava muito assustado pois não sabia da minha mãe e nunca tinha estado sozinho. Este senhor muito simpático resgatou-me da rua e apesar de querer o meu bem não sabia nem podia cuidar de um gatinho tão pequenino e indefeso como eu, então teve a ideia que iria mudar a minha vida para sempre, teve a ideia de me levar para uma associação de luta e prevenção contra o abandono animal. 
Foi no dia 03 de Junho de 2015 que conheci as pessoas que seriam a minha família durante os próximos 5 meses e meio e que me iram salvar a vida nas maiores dificuldades que ainda estariam para vir. Nesse dia tornei-me um membro da família Tico & Teco, uma organização sem fins Lucrativos que se destina à recolha de gatos abandonados, recuperação e posteriormente adoção, tal como tantos outros projetos maravilhosos que têm como objetivo ajudar os meus amigos que por aí andam abandonados, sem cuidados e amor.

Tive um início de vida complicado mas o que ainda estava para vir seria mais difícil de superar do que alguma vez poderia imaginar, no entanto ainda há finais felizes e é por isso que decidi partilhar a minha historia e as minhas aventuras do dia a dia com vocês. 

Gostaria ainda deixar aqui a informação sobre uma das minhas famílias, a associação Tico & Teco e apelar a quem poder que ajude, nem que seja com uma latinha de comida húmida, pois eu felizmente já fui adotado mas muitos dos meus irmãos e irmãs continuam tanto na minha associação como em tantas outras. E para que este trabalho de solidariedade e amor para com os animais continue é preciso ajuda de todos, por mais pequena que seja. 


Espero que gostem deste pequeno resumo das primeiras semanas da minha vida e que continuem a ler as minhas histórias.

Marradinhas e Ron-Rons!