A história de hoje é mais feliz que as duas últimas.
Após ter saído de mais um internamento na clínica veterinária lá voltei a casa pronto a brincar e a fazer as minhas traquinices habituais. Os dias foram passando bem como as possíveis famílias que ali apareceram. Tentei que todas elas me escolhessem mas apesar de me acharam giro ou engraçado nenhuma me levou para casa.
Ainda não tinha feito um mês desde que tinha saído do hospital quando apareceram 2 meninas num carro azul.
Como sempre eu fui o primeiro a ir cumprimentá-las. Passei pelas pernas delas, de modo a darem pela minha presença e pedi colo, ao que elas deram logo.
A minha mãe Filipa também as foi receber e iniciou então uma visita pelas instalações na associação, que são também a sua casa própria.
Começaram por conhecer alguns dos meus irmãos menos tímidos, viram cães que também ali habitam e de seguida seguiram para a zona mais a baixo da casa que é onde estão os Gatis dos gatinhos que não podem estar soltos ou juntos com os outros.
São três Gatis muito grandes onde na primeira estavam 3 gatinhos bebés à espera de levarem as vacinas, na segunda estava uma das minhas manas preferidas, a Mel, uma menina tigrada que ainda teve mais azar na vida do que eu. Quando era muito pequenina foi mordida por um cão e logo a seguir atropelada por um carro. Por milagre sobreviveu mas não sem antes perder a sua cauda o que destruiu a possibilidade de ter uma vida normal ou uma família que a adopta-se.
A Mel sofre de incontinência e não se apercebe que esta sempre a defecar ou urinar e devido a não ter cauda não é possível por-lhe uma fralda, ou seja não pode andar solta pela casa que suja tudo e se não for sempre limpa acaba por deixar a zona do rabo todo em ferida. Já foram várias as vezes que teve para ser abatida mas sempre que isso está para acontecer os veterinários perdem a coragem pois a Mel é sem duvida a gata mais meiga do mundo. Então mais uma vez graças aos incríveis esforços da Filipa e de todos os membros da Associação Tico & Teco que a minha mana mais linda vai tendo alguma qualidade de vida, para melhorar só mesmo quando se conseguir construir os novos gatis que vão ter um espaço exterior grande onde ela poderá brincar e fazer as suas necessidades sem ficar ferida.
Continuando a minha historia, as duas meninas lá foram vendo as instalações e lá foram conhecendo todos os seus habitantes, e eu sempre atrás delas. Não sei porque mas quando as vi chegar algo me disse que poderiam naquele dia que eu iria ser adoptado, então fiz tudo o que podia para repararem em mim. Eu rebolei à frente delas, rocei-me nas pernas, brinquei, perseguias para todo lado, pedi festas enfim fiz tudo o que podia mas elas continuavam a escolher outros gatos. Por um lado estava feliz, claro, pois era mais um dos meus irmãos que ia receber uma família mas por outro sentia triste e a começar a perder a esperança.
Ao fim de algum tempo elas estavam indecisas sobre alguns dos gatos. O Pumba, um gato castanho e preto, o Damon, um gato preto enorme, mas o que realmente queriam era o Laranjinha, um gato jovem e laranja mas que não se deixava apanhar. Os esforços foram muitos para o tentarem levar, tentaram com comida, com uma caixa e até abriram a porta do carro para ver se ele entrava lá para dentro. Eu senti logo o cheirinho da comida que elas tinham colocado no carro para ver se o laranjinha ia lá comer, entrei para o carro delas comi, e sentei-me no banco, mas elas riram-se e pegaram em mim ao colo, porém acabaram por fazer uma nova tentativa mas desta vez com uma transportadora e mais uma vez eu entrei, comi os biscoitos que lá tinham e fiquei lá sentado à espera que percebessem que era eu a escolha certa. Foi nessa atura que eu as vi olharem uma para a outra, olharem para mim e voltarem a olhar uma para a outra a sorrir.
Naquele momento o meu coração encheu-se de coragem, será que era desta que ia ser adoptado???
Foi então que ouvi as palavras porque tanto esperava " e porque não levamos o Jôjô?", ao que a Filipa respondeu que sim claro que podiam levar mas que havia problemas e complicações comigo. E então começou a explicar todas as minhas doenças, que tinha de levar vacinas caras todos os anos, que tinha uma pata que um dia poderia ter de ser operado, que tinha a doença que tinha acabado de roubar a vida a dois gatinhos que elas tinham tido (esta historia vou-vos contar mais para a frente) e que teria de fazer análises de 6 em 6 meses para controlar todos os problemas e doenças que tinha, ou seja, iriam gastar muito dinheiro comigo, iriam ter muitos cuidados e sem garantia que o meu estado de saúde não piorasse. Após a explicação toda da Filipa elas voltaram a olhar uma para a outra e de seguida para mim. E estava ainda sentado dentro da transportadora, naquele momento o meu coração parou, ia ouvir novamente aquelas palavras que já ouvira tanta vez " se calhar é melhor levar-mos outro", ia ficar mais uma vez para trás, ia mais uma vez ser visto como o gato doente ou imperfeito como era costume ser visto. Mas não, elas olharam para mim, sorriram e disseram as palavras que eu tanto desejava ouvir "nós levamos o Jôjô".
Senti-me o gato mais feliz do mundo, ia finalmente ser adoptado!
De seguida elas foram preencher a papelada necessária, fizeram-se sócias e receberam toda a informação sobre mim.
A Filipa emprestou-lhes uma transportadora, que depois regressou cheia de latinhas de comida para os meus irmãos, e lá fui eu todo contente com as minhas mães novas.
Nunca irei esquecer tudo o que a Filipa e a associação Tico & Teco fizeram por mim, eles vão ser sempre a minha família também.
Nesse dia ganhei três mães novas, a Rita, a Sara e a Xana.
Marradinhas e Ron-rons!
Acreditamos que todos os animais têm o dono certo à sua espera, mas nem sempre se cruzam com ele.











